sábado, 13 de agosto de 2011

Sobre Jorge Amado e seus Capitães da Areia

Capa do livro "Capitães da Areia", de Jorge Amado
"Capitães da Areia" é um romance escrito pelo escritor brasileiro Jorge Amado. Foi lançado originalmente em 1937, uma época de regime anticomunista e de ditadura, o que levou o livro a ser queimado em praça pública.
Lendo o livro, pode-se perceber o porquê da ditadura não aprovar. Ele faz uma grande crítica à sociedade brasileira da época, com características que podem ser percebidas até hoje. Conta a história de um grupo de meninos de rua intitulados "Capitães da Areia", que vivem livres, leves e soltos pelas ruas da Bahia, praticando pequenos e médios furtos e muitas vezes incomodando as pessoas da cidade. Com esse pequeno enredo, Jorge Amado critica a situação das crianças de rua, levando isso para um lado que cita as diferenças sociais, criticando aberta e diretamente a relação pobre/rico, burguês/proletariado, e ainda insere personagens que criticam a instituição religiosa e seu fanatismo. Como pode-se perceber, "Capitães da Areia" é um saco cheio de críticas.
Jorge Amado nasceu na Bahia e foi um dos grandes representantes do modernismo regionalista, presente na segunda fase do Modernismo. Possui uma vasta obra, das quais muitas foram adaptadas para o teatro, televisão e até usadas por escolas de samba. Se quiser saber um pocuo mais sobre a vida desse grande autor brasileiro, acesse este link.
"Capitães da Areia" foi traduzido para o alemão, árabe, crota, espanhol, francês, grego, húngaro, inglês, italiano, japonêsm libanêsm norueguês, russo, tcheco e ucraniano. Neste link estão outras obras publicadas pelo autor, contando a história de cada uma, e neste outro você pode encontrar alguma das características literárias de Jorge Amado.
Em 2008, a Cia. das Letras iniciou um projeto de reedição das obras de Jorge Amado. No site da editora, você pode adquirir as novas edições de toda a obra do autor.

Sobre o resumo da obra

O livro é dividido em três partes, mas antes delas é apresentado uma seqüência de pseudo-reportagens nas quais explica-se que os Capitães da Areia são um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam Salvador; que os únicos que se relacionam com eles são Padre José Pedro e uma mãe-de-santo; que o Reformatório, ao contrário do que dizem, é um antro de crueldades e que a polícia caça os meninos de rua como verdadeiros criminosos, esqueçando-se que, apesar de tudo, são apenas crianças. A primeira parte em si, "Sob a lua, num velho trapiche abandonado" conta algumas histórias quase independentes sobre alguns dos principais Capitães da Areia e sobre algumas pessoas envolvidas com eles, caracterizando os personagens principais do enredo: Pedro Bala, o líder, de longos cabelos loiros e uma cicatriz no rosto, uma espécie de pai para os garotos, mesmo sendo tão jovem quanto os outros, que descobre ser filho de um líder sindical morto durante uma greve; Volta Seca, afilhado de Lampião, que tem ódio das autoridades e o desejo de se tornar cangaceiro; Professor, que lê e desenha vorazmente, sendo muito talentoso; Gato, que com seu jeito malandro acaba conquistando uma prostituta, Dalva; Boa-Vida, um menino que sonha em ser um verdadeiro malandro da Bahia; Sem-Pernas, o garoto coxo que serve de espião se fingindo de órfão desamparado e, numa das casas que vai, é bem acolhido, mas acabando traindo a família mesmo assim, sem realmente querer fazê-lo; João Grande, o "negro bom" como diz Pedro Bala, segundo em comando; Querido-de-Deus, um capoeirista que é só amigo do grupo; e Pirulito, que possui um grande fanatismo religioso. A primeira parte possui dois momentos importantes: quando os meninos se envolvem com um carrossel mambembe que chegou na cidade, e, pela primeira vez, se sentem como crianças normais; e quando uma grande epídemia de varíola ataca a cidade e acaba matando um deles. A segunda parte, "Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos" apresenta uma história de amor quando a menina Dora e seu irmão, cujos pais também morrreram pela epídemia, ingressam no grupo, e ela torna-se a primeira "Capitã da Areia". Mesmo que inicialmente os garotos tentem abusar da única figura realmente feminina do trapiche, ela acaba se torna como mãe e irmã para todos, trazando um lado sentimental desconhecido nos Capitães da Areia.
Professor e Pedro Bala descobrem o amor quando se apaixonam por Dora, que se apaixona pelo segundo. Quando Pedro e ela são capturados (ela em pouco tempo passa a roubar como um dos meninos), eles são muito castigados, respectivamente, no Reformatório e no Orfanato. Quando Pedro Bala escapa, rapidamente vai libertar sua amada, que estava muito enfraquecida pelos maus tratos sofridos, o que leva à sua morte. Mas antes de Dora morrer, ela e Pedro Bala fazem sexo com amor no chão do trapiche.
A morte de Dora marca o começo do fim para os principais membros do grupo. "Canção da Bahia, Canção da Liberdade", a terceira parte, vai nos mostrando a desintegração dos líderes. Sem-Pernas se mata antes de ser capturado pela polícia que odeia; Professor parte para o RJ para se tornar um pintor de sucesso, sempre marcado pela morte de seu único amor, Dora; Gato se torna uma malandro de verdade, abandonando sua amante Dalva e saindo da Bahia; Pirulito se torna frade; Volta Seca se torna um cangaceiro do grupo de Lampião e mata mais de 60 soldados antes de ser capturado e condenado; João Grande torna-se marinheiro; Boa-Vida se torna um verdadeiro malndro, vagando pela Bahia com seu violão, cantando seus sambas e arranjando confusão em festas e comemorações; Pedro Bala, cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai se envolvendo com os doqueiros e  transforma os Capitães da Areia numa espécie de grupo de choque em favor dos comunistas. No fim, Pedro Bala abandona a liderança dos Capitães da Areia e se torna um grande líder revoluncionário comunista, que luda pelo direito dos pobres.

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O resumo acima foi adapatdo do texto encontrado no site Cola da Web, encontrado neste link.

Sobre os personagens

"Capitães da Areia" não possui especificamente um personagem principal, já que a narrativagira em torno dos Capitães da Areia, que eram um grande grupo de crianças, mas dá uma ênfase maior para oito de seus integrantes, caracterizando assim os personagens principais da obra de Jorge Amado. Dentro destes oito personagens, um em especial se destaca: Pedro Bala, o líder dos meninos do trapiche, que é quem participa e conecta praticamente todas as partes do enredo, dando uma coesão maior ao texto. Pedro Bala era um menino loiro que tinha uma cicatriz feita por uma navalha no rosto, fruto da luta em que venceu o antigo comandante dos Capitães da Areia. Era ágil, esperto, temido e respeitado por todos do grupo, possuindo uma certa fama pela Bahia, sendo conhecido somente por "o líder dos Capitães da Areia". Possuía o espiríto de um chefe, já que seu pai, um estivador conhecido como Loiro, tinha sido o líder de uma greve no porto, na qual foi assassinado por policiais; nunca soube de sua mãe. Conhecia todas as ruas da Bahia e todos os seus becos. Tinha um espírito rebelde e um imensa vontade de libertar todos os pobres e acabar com o poder dos ricos, um pensamento socialista que foi fortemente influenciado pela história da morte de seu pai.

Sobre nossa opinião

A obra de Jorge Amado apresenta vários aspectos positivos, juntando críticas com uma história bem estruturada.
A maior a crítica apresentada se refere à situação dos meninos órfãos, que não possuem ninguém, a não ser a si e a seus companheiros. Diferente das outras histórias, "Capitães da Areia" retrata o lado dos ditos "ladrões", mostrando os pobres, que acreditam que foram predestinados a essa vida, como heróis. A diferença entre as classes é fielmente retratada, fazendo o leitor interagir com a história. A obra ainda apresenta um lado religioso,criticando as instituições religiosas, principalmente a católica, e dando mais razão às religiões afro-brasileiras, como o Candomblé.
Apesar de muito novos, os Capitães da Areia vivem uma vida de adultos. Aprendem a sobreviver através do companheirismo e muito cedo descobrem o sexo, "derrubando" negrinhas na areia das praias da Bahia, mesmo antes de conhecerem o amor.
Mesmo apresentando assuntos sérios, que cumprem seu objetivo de conscientização, Jorge Amado constrói o enredo do livro de uma forma que nos cativa, nos faz "entrar" na história e toca nossos corações, nos levando do riso às lágrimas. O grupo recomenda o livro para todos aqueles que buscam uma agradável e divertida leitura.

Este livro possui o "Dedão Bottini de qualidade"!!
Seu Creysson também aprova...

Sobre as adaptações para televisão, cinema e teatro

Por possuir um enredo muito bem construído e envolvente, "Capitães da Areia" recebeu adaptações para a televisão, cinema e para teatro, assim como muitas outras obras de Jorge Amado.

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Em 1989, foi exibido na Rede Bandeirantes a minissérie "Capitães da Areia", inspirada na obra. Foi dirigida por Walter Lima Jr. com roteiro de José Loureiro e Antônio Carlos Fontoura, que também fizeram a adptação. Possuia dez capítulos, que foram exibidos entre os dias 5 e 16 de dezembro, às 20h50min. Tinha no elenco Leandro de Souza, como Pedro Bala; Alethéa Miranda, como Dora; Geraldo Del Rey, como Padre José Pedro; Tamara Taxman, como Dalva; Rodrigo Pereira da Silva, como Gato; André Gonçalves, como Boa-Vida; Bruno Sobral, como Sem-Pernas; Pablo Sobral, como Pirulito; Marcus Vinícius, como Querido-de-Deus; Renato Coutinho, como Raimundo (pai de Pedro Bala); Jacyra Silva, como Don´Aninha; entre outros.
Jorge Amado com alguns atores da minissérie "Capitães da Areia", adaptação de sua obra homônima
O vídeo abaixo mostra a abertura da minissérie, juntamente com algumas de suas cenas.


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A primeira adaptação de "Capitães da Areia" para o cinema foi feita pelo cineasta americano Hall Bartlett, em 1971. Foi exibida nos Estados e Unidos e na Rússia, entre outros países, mas continua inédito no Brasil. Foi chamado originalmente de "The Sandpits Generals". 
Ficha técnica
            Título Original: The Sandpit Generals (Capitães da Areia).
Títulos Alternativos: The Defiant / The Wild Pack.
Elenco e Equipe: Kent Lane, Tisha Sterling, Dorival Caymmi, Ademar Da Silva, Aloysio De Oliveira, Marc De Vries, Jimmy Fraser, Freddie Gedeon, William Hobson, Guilherme Lamounier, Macio, Creusa Millet, Butch Patrick, Eliana Pittman, Alejandro Rey, John Rubinstein e Marisa Urban.
Gênero: Drama.
Duração: 102 min.
Ano de Lançamento nos EUA: 1971.
Direção: Hall Bartlett.
Roteiro: Jorge Amado e Hall Bartlett.


Pôster do filme nos EUA e na Rússia
O filme é muito desconhecido, não possuindo versões ou legendas em Portugês. No YouTube podem ser encontrados algumas passagens do filme, a maioria em russo. Abaixo, uma pequena parte do filme russso.



Mas uma nova versão para "Capitães da Areia" está sendo feita, e dessa vez a produção é brasileira. O filme entra em cartaz no dia 14 de Outubro de 2011 e é dirigido por Cecília Amado, neta de Jorge Amado. Neste site podem ser encontrados mais algumas informações sobre a nova produção e este outro apresenta uma entrevista com a diretora, que diz que não seguirá à risca o livro de seu avô.

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"Capitães da Areia" também recebeu algumas adaptações para o teatro. Em 1958, o livro recebeu uma adaptação feita pelo padre Valter Souza, em Salvador; outra por Carlos Wilson, que é encenada por diversos grupos teatrais no Brasil e no exterior e em 2002 foi  adaptada por Roberto Bomtempo e encenada pela Companhia Baiana de Patifaria. No site da Cia Baiana de Patifaria podem ser encontradas algumas informações sobre o espetáculo por eles encenados.
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A obra de Jorge Amado ainda recebeu adaptações para espetáculos de dança e para revistas em quadrinhos.

Sobre os autores

    O blog foi desenvolvido por Felipe Arnold, Felippe Bobsin, José Parizotto e Julio Rohr, alunos da turma 4324 do terceiro ano do Curso Técnico de Eletrônica da Fundação Escola Técniaca Liberato Salzano Vieira da Cunha, que se localiza em Novo Hamburgo. Se quiser saber um pouco mais sobre a escola, acesse este link, onde também poderá encontrar informações sobre todos os cursos oferecidos pela Fundação Liberato.
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